Além da alta dos alimentos, aumento no preço do gás de cozinha e da energia elétrica também pressionam o orçamento das famílias, segundo a economista do Dieese Patrícia Costa

Com elevação de 35% nos últimos 12 meses, o valor da cesta básica ultrapassou R$ 600 em pelo menos cinco capitais do país. No Rio de Janeiro, em São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre e Vitória, o auxílio emergencial de R$ 300 não foi suficiente para adquirir nem a metade dos itens da cesta básica no mês passado.

Nas duas maiores cidades do país, a cesta básica estava sendo vendida acima de R$ 629, segundo o Dieese. Nas duas capitais do sul, alcançou cerca de R$ 617. Em Vitória, ficou em R$ 606,59. Nas outras 12 capitais pesquisadas, o valor da cesta variou entre R$ 451,32 (Aracajú) e R$ 589,08 (Campo Grande).

Anteriormente, em outubro, o governo Bolsonaro havia cortado o auxílio pela metade, apostando na retomada da economia. Neste mês, as famílias estão recebendo a sua última parcela. O risco é que, a partir de janeiro, milhões de famílias fiquem totalmente desassistidas, já que a equipe econômica não anunciou, até o momento, um programa de transferência de renda capaz de suprir pelo menos parte das perdas com o fim do auxílio emergencial.

 

Orçamento espremido

Além da alta nos preços dos alimentos, os aumentos registrados no gás de cozinha e na energia elétrica, por exemplo, estão “espremendo” o orçamento das famílias que ganham até um salário mínimo, segundo a supervisora de pesquisas do Dieese, Patrícia Costa.

A economista explicou que os preços dos alimentos – como arroz, feijão, carne, batata e óleo de soja – têm subido em função da desvalorização do real frente ao dólar. Diante desse quadro, o Dieese estimou em R$ 5.289,53 o salário mínimo necessário para as despesas básicas de um trabalhador e sua família. Entretanto, a política de valorização do salário mínimo foi abandonada. Patrícia criticou, ademais, a ausência de políticas do governo para conter a carestia.

“Nesse momento, não existe preocupação com a inflação, que deve terminar o ano dentro da meta. Isso faz com que o governo não faça nada, nem tome nenhuma outra medida para conter essa alta”, declarou.

 

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