Na próxima semana, o governo Lula deve enviar ao Congresso um novo projeto de lei em regime de urgência constitucional sobre o fim da escala 6×1 para tentar destravar a pauta e aprovar a medida.
Na avaliação do cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP) Paulo Niccoli Ramirez, o presidente acerta ao tomar essa atitude, deixando de ser refém das decisões do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“É curiosa a diferença de regime de urgência entre Hugo Motta e Lula. O regime de urgência do Motta era a anistia”, ironiza Ramirez em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “É claro que é também um ano de eleição e é a ferramenta que o Lula tem exatamente para provocar esse congresso que é conservador, reacionário e não faz nada pela população. Motta expressou ser favorável ao fim da escala 6×1 da boca pra fora e não tomou providências imediatas”, avalia.
Sobre eventuais críticas da oposição de que colocar a pauta da escala 6×1 em ano eleitoral seria oportunismo, Ramirez enfatiza que o Congresso passa quatro anos agindo em interesse próprio. “O verdadeiro oportunismo ocorre durante os quatro anos de legislativo em que agem a partir de prioridade de empresários, executivos, fazendeiros”, diz.
Messias no STF
Na quarta-feira (1º), Lula endereçou ao Senado a indicação oficial de Jorge Messias a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de tentar acelerar a sabatina. Desde o anúncio da decisão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manifestou publicamente seu descontentamento por desejar que o senador Rodrigo Pacheco fosse o escolhido.
Se aprovado, Messias entra no lugar de Luis Roberto Barroso, que se aposentou no ano passado. A possível chegada de Messias à Suprema Corte vai engrossar a ala evangélica no STF. Para Ramirez, a escolha de Lula mostra estratégia e é preciso tomar cuidado com estereótipos.
“Se o Lula é um governante que se julga de esquerda e coloca um evangélico no STF, isso mostra que o PT sente a necessidade de atrair esse eleitorado. Mas não podemos ser superficiais e genéricos de achar que todos os evangélicos de todos os segmentos são iguais uns aos outros. Apesar da simpatia dos ministros evangélicos do STF em relação ao Messias não dá pra fizer que Messias vai tomar as mesmas atitudes conversadoras especialmente com relação a extrema direita”, afirma.
Fonte: Brasil de Fato
Foto: Ricardo Stuckert/PR

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