13 RAZÕES PARA VOTAR EM FERNANDO HADDAD E REJEITAR JAIR BOLSONARO NO DIA 28 DE OUTUBRO

Por Sammer Siman

O que está em curso no Brasil no próximo dia 28 de outubro não se trata de uma mera eleição, mas sim a ratificação ou a rejeição de uma agenda agressiva de retirada de direitos dos trabalhadores (como o direito a aposentadoria), ataque a soberania nacional e a liberdades democráticas básicas, como o direito à livre manifestação e o de se fazer oposição a um governo. A ideia de que existem dois pólos faz crer que a disputa em curso é como um jogo de futebol, em que um time enfrenta o outro e o vencedor vai pra casa feliz, o perdedor fica triste e todos se preparam para um novo embate na semana seguinte.

 

As declarações de Jair Bolsonaro dadas no curso de sua trajetória política, bem como na atual campanha (como apologia a tortura, dizer que sua oposição amargará a cadeia ou o exílio e outras atrocidades) mostra que, de fato, a disputa se trava entre a civilização e a barbárie. Portanto, a questão posta não é a derrota ou a vitória do PT. Mas sim a possibilidade de se preservar uma pactuação mínima do arranjo institucional para que as forças políticas sérias assumam a agenda dos reais dilemas do povo brasileiro, qual seja, a crise do desemprego, da insegurança e as questões sociais que ainda seguem em aberto no nosso país.

 

Apresento 13 razões que me fazem votar em Fernando Haddad no dia 28 de outubro e rejeitar Jair Bolsonaro.

 

1) *O PT como principal problema?* Diversos eleitores de Jair Bolsonaro embarcam na máxima “PT NÃO”. Que o PT já é, pra dizer o mínimo, um partido desgastado sabemos, inclusive o próprio Fernando Haddad tem reconhecido erros do partido em diversas ocasiões. No entanto, para dizer NÃO é preciso dizer um SIM, e Bolsonaro não guarda nenhuma credencial para receber a confiança do povo brasileiro. Ele se esconde do debate público, portanto oculta sua agenda de governo que guarda medidas perversas contra o povo brasileiro (como privatizações e retirada de direitos). Seu histórico como parlamentar é pífio, sempre votou contra os trabalhadores (contra aumento de salário mínimo, direitos de empregadas domésticas e pelo congelamento em 20 anos dos gastos sociais), além de seu viés profundamente autoritário, que se manifesta em declarações abjetas como em homenagem a torturador, intolerância a oposição, defesa da ditadura militar além de preconceitos de toda ordem contra parcelas importantes e até mesmo majoritárias do povo brasileiro – como mulheres e negros.

 

2) *Fernando Haddad por Fernando Haddad* Se difundiu por aí a prosa de que Haddad é um “poste”. Ora, que poste teria governado a maior cidade da América Latina? E ainda com grandes feitos que deixaram marcas mais humanas na imensidão urbana que se tornou São Paulo, como na construção de 410 creches, melhoria da mobilidade urbana, construção de 3 hospitais e várias UPA’s, recuperou dinheiro desviado de corrupção, dentre outros feitos. Haddad também foi ministro da educação por 8 anos, responsável pela maior ampliação já vista no ensino técnico e superior, algo relevante diante da demanda histórica que temos enquanto povo brasileiro por educação.

 

3) *Corrupção* – Meu candidato no primeiro turno, Guilherme Boulos, denunciou de modo contundente o esgotamento da Nova república, especialmente no que se refere a política do “toma lá, dá cá”. A política no Brasil se tornou, em forte medida, um balcão de negócios, onde empresas financiam candidatos e em vários casos pagam por aprovação de leis. Um mal que atingiu o PT e praticamente todos os partidos da república, incluso o antigo partido de Bolsonaro (PP) e seu atual (PSL). Ou seja, a corrupção se manifesta como um problema estrutural e praticamente todos os partidos estão implicados nela. Ou seja, a corrupção não se trata de um problema exclusivo do PT, nem mesmo foi inaugurada por ele, e várias estatísticas mostram (como as de cassação de parlamentares) que o PT está abaixo na escala dos partidos mais corruptos. Outro fato que precisa ser frisado é que Bolsonaro não é um candidato honesto, como reivindica ser. Dado que já admitiu que incorreu em esquema de financiamento ilegal (feito pela JBS), foi pego contratando funcionário fantasma em seu gabinete e em plena eleição está diante da acusação de um enorme esquema de caixa 2 envolvendo sua campanha no primeiro turno, além de contar com um grande crescimento do patrimônio de sua família.

 

3) Insegurança Pública* – Um ponto que move parte importante do eleitorado de Jair Bolsonaro é o tema da violência. De fato, a violência no Brasil é um problema estrutural, que torna o cotidiano do povo muito mais difícil, trata-se de um crime lesa pátria o fato de morrer pelo menos 60 mil brasileiros por ano apenas por armas de fogo. No entanto, a solução que Bolsonaro apresenta é completamente falsa, ao estimular armar a população contraria as estatísticas que demonstram que esse é o caminho do aprofundamento da violência. Fernando Haddad, em sentido diferente, propõe enfrentar o problema pela raiz, como no investimento em inteligência, aumento do efetivo da polícia federal, controle de fronteiras para cercar o tráfico de drogas e de armas no topo da pirâmide do sistema, bem como também promover investimento social maciço como forma de reduzir a vulnerabilidade de grupos sociais mais expostos. É bastante relevante que o principal mote da campanha de Haddad e Manuela seja “uma carteira de trabalho numa mão, e um livro na outra”, gerar emprego e investir na educação é um caminho indispensável para enfrentar o problema da violência pela raiz e sem demagogia.

 

4) *Soberania nacional* Outra questão que mobiliza o discurso de Bolsonaro é um anunciado amor a bandeira. Como Haddad tem denunciado, Bolsonaro diz amar o Brasil mas jurou amor a bandeira americana, como se pode ver numa busca simples na internet. Seu programa de governo evidencia esse amor aos gringos, pois só fala de privatização (o que coloca em risco empresas como Petrobrás e Eletrobrás), entrega da Amazônia, da base de Alcântara. Já o programa de Haddad vai no sentido oposto, a partir de um compromisso com a soberania, com as empresas públicas, aponta pra uma política internacional altiva, com base na multilateralidade, ou seja, nas relações com os vários países do mundo.

 

5) *Venezuela e solidariedade internacional* – Outro tema que tem sido recorrente na conjuntura é a questão da Venezuela. O país se encontra numa crise econômica (que assola também de maneira forte países como a Argentina) e Haddad propõe uma política de colaboração e solidariedade internacional, reforçando parcerias e fazendo negócios com diversos países. Já Bolsonaro assume uma oposição obsessiva contra a Venezuela, sendo que um de seus filhos chegou a anunciar a intenção de deflagrar uma guerra com o país vizinho, o que seguramente não é o desejo de nenhum brasileiro em sã consciência.

 

6) *Um programa econômico para a crise* – Haddad anunciou três medidas para o dia 1º de janeiro. Aumento do salário mínimo acima da inflação, redução do preço do gás que deverá custar no máximo 49 reais em todo Brasil e reajuste em 20% do bolsa família. Longe de ser uma proposta revolucionária, ou “comunista” (conforme a fobia de muita gente por aí) trata-se de uma proposta adequada para a atual condição econômica do país que ataca diretamente problemas fundamentais do povo brasileiro, como a fome que tem voltado a assolar lares de nossa gente. Já o outro candidato, que sempre se colocou contra o bolsa família, diz agora de maneira oportunista que vai pagar 13º salário a quem recebe bolsa família, sendo que seu vice (o General de reserva Mourão) tem dado declarações reiteradas sobre acabar com o 13º salário dos trabalhadores.

 

7) *O caso Lula* – outro tema recorrente diz respeito ao ex-presidente Lula, que sofreu uma condenação injusta com base na atribuição de um triplex que de modo evidente não é dele. Haddad já deu várias declarações de que não dará indulto ao ex-presidente. Isso porque o ex-presidente já disse por diversas vezes que não troca sua “liberdade por sua dignidade”, o que o ex presidente tem exigido a todo tempo é um julgamento justo. Esse tem sido um dos pretextos pra alguns dizerem que não votam em Haddad, mesmo sem certeza alguma sobre Bolsonaro, com o papo já conhecido de que “a gente coloca ele lá e se não der certo tira depois”…o Brasil já viveu isso em passado recente com o “primeiro a gente tira a Dilma e depois…” e depois tivemos que amargar Michel Temer e ninguém tirou ele do poder.

 

8) *Direitos trabalhistas e sociais: Bolsonaro é Temer. Temer é Bolsonaro* – o governo Temer inaugurou uma agressiva agenda de desmonte de direitos sociais e trabalhistas. Num dos primeiros esforços de seu governo aprovou um absurdo teto de gastos sociais que congela por 20 anos os gastos sociais. Aprovou também uma nefasta reforma trabalhista, que amplia a precarização do trabalho e sua desregulamentação. Tentou ainda aprovar uma criminosa reforma da previdência, que penaliza os mais pobres em detrimento de privilégios de algumas seletas corporações de estado. Haddad firmou seu compromisso com a revogação da PEC do teto dos gastos, da reforma trabalhista e a aprovação de um estatuto do trabalho que restitui direitos, conforme reivindicação das centrais sindicais. Já Bolsonaro não assume nenhum compromisso com os direitos dos trabalhadores, o que reforça suas votações anti-trabalhistas no curso de seus 28 anos como deputado. Bolsonaro também já anunciou que pretende manter parte da equipe econômica de Temer, tem o apoio de vários ministros do governo Temer, incluso o ministro Carlos Marun, o ministro da “dancinha”, que sambou na cara do trabalhador brasileiro quando o congresso aprovou a reforma trabalhista.

 

9) *compromisso com a verdade* – Haddad tem feito um compromisso aberto com a verdade. Sua campanha tem se dado a partir de compromissos sólidos, sem falsas promessas. Já Bolsonaro faz uma descarada campanha em torno da mentira, como no chamado “kit gay” que se revelou como uma falácia, bem como numa profusão imensa de “fake news” que gerou um forte escândalo de caixa 2, que já deveria ter sido apurado com profundo rigor pela justiça, considerando as provas já notórias.

 

10) *O PT quebrou o Brasil?* Existe outra afirmação recorrente e um tanto quanto leviana que diz que o PT quebrou o Brasil. O governo do PT elevou em muito a atividade econômica e, portanto, a arrecadação pública, baixou o desemprego e implantou grandes legados sociais, como o Mais Médico, expansão do ensino e das Universidades públicas, programas como luz para todos, farmácia popular, criação de 50 empresas públicas dentre outras tantas iniciativas. De fato, ainda nos governos do PT o país viveu o declínio da economia, dada a redução da demanda no mercado internacional por commodities, verificada ainda em 2011. E cometeu um erro já reconhecido por Dilma (e também por Haddad) na política de desonerações fiscais, iniciada ainda no primeiro governo Dilma a partir de uma reivindicação pactuada entre centrais sindicais e entidades patronais, e que no fim das contas resultou em mais de 400 bilhões em desonerações que não se reverteram em mais empregos e na aceleração da atividade econômica. Sendo assim, é possível atribuir uma parte da quebra recente da economia a esse equívoco do governo petista de Dilma, mas é necessário indicar também que a crise tem fortes razões na economia internacional e que Bolsonaro só pode aprofundar essa crise com a aplicação de suas promessas.

 

11) *Saúde e educação* Elementos fundamentais para a vida do povo trata-se de saúde e educação. O Professor Haddad, antes de tudo, ao se comprometer com a revogação da PEC dos gastos, destrava o caminho jurídico para retomada dos investimentos em saúde e educação. Ademais, suas medidas são consistentes e apontam para o fortalecimento do SUS e da educação pública, com ampliação e fortalecimento dos serviços públicos. Já Bolsonaro, num programa de governo de 81 páginas cita o SUS numa única vez. Seu programa de educação é um escárnio, defendendo “ensino a distância” desde o ensino fundamental, ou seja, para crianças a partir de 6 anos. Uma rápida lida em ambos os programas evidenciam que as diferenças são gritantes.

 

12) *Meio ambiente* – outro tema sensível diz respeito ao meio ambiente. O programa de Bolsonaro indica flexibilização total da legislação ambiental, inclusive defendendo a proposta insana de juntar o ministério do meio ambiente ao ministério da agricultura, o que na prática seria submeter a galinha à raposa, ou seja, colocar o sistema de proteção ambiental a reboque dos interesses ruralistas. Já Haddad propõe fortalecimento dos mecanismos de proteção ambiental e estímulo a agroecologia como um modelo alternativo que deve assumir papel crescente na sociedade brasileira ao significar uma forma de produzir, comercializar e consumir de modo mais responsável.

 

13) *Derrotar o fascismo, por um governo de entendimento nacional* – Bolsonaro se apresentou com o que existe de mais abjeto na política. Diante de um falso discurso nacionalista e um falso amor a Deus propaga ódio e jura vingança a seus adversários. Já Haddad, assume o caminho do diálogo, da proposição e do embate público. Se apresenta ao povo brasileiro com coragem, não se furta de assumir erros e assimilar críticas e se coloca como uma via aberta para a construção de um governo de entendimento nacional. Não significa dizer que sendo eleito pacificará o Brasil de maneira mecânica, para isso deverá haver um empenho decidido das forças políticas afeitas ao caminho da democracia e da soberania. Haddad também significa respeito aos poderes instituídos, não ameaça oposição, por se portar com base na tolerância, na escuta e na busca da compreensão das diferenças.

 

Portanto, arrisco dizer que sua vitória significaria bem mais do que uma negativa ao que há de pior na política nacional, expresso hoje na candidatura de Jair Bolsonaro. Significa a possibilidade de uma via de entendimento real, para que possamos viver dias mais felizes e mais prósperos a partir de bases mais solidárias. Portanto, no dia 28 de outubro, mais do que impedir a ameaça do fascismo, poderemos consagrar um governo capaz de liderar uma via ativa de entendimento nacional, mobilizando as melhores forças vivas da sociedade para sairmos do ambiente sufocante que se tornou hoje a realidade brasileira.

Bora virar que ainda dá tempo!

Leave A Comment