Membro do sindicato dos Metroviários, Sérgio Renato diz que incidente dos últimos dias provam problemas na privatização
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) voltará a operar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade por 90 dias após graves falhas ocorridas em segundo e no terceiro dia em que a concessionária Trivia Trens administrou o serviço. A decisão foi anunciada pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
No dia 22 de julho, a falha em um equipamento da linha 12-Safira causou atrasos na operação. No dia 23 de julho, a situação foi pior: um curto-circuito causou um incêndio, que gerou uma explosão e afetou todas as linhas de responsabilidade da nova concessionária.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Sérgio Renato, chefe de relações intersindicais do Sindicato dos Metroviários, conta que o processo de privatização começou em março do ano passado e, de lá para cá, a gestão passou a ser da Trivia, que ainda usava serviços e mesmo a expertise de trabalhadores da CPTM nesse processo de transição.
O sindicalista, que trabalha no Metrô há 30 anos, destaca que a culpa não pode recair sobre os trabalhadores da Trivia. “É um crime o que essas empresas fazem. Colocam o trabalhador sem treinamento. Eu posso imaginar o desespero desses profissionais”, afirma.
Renato afirma que os episódios provam o que movimentos populares, sindicatos e os trabalhadores do setor falam há muito tempo: o processo de privatização é um equívoco. “Esse evento, além de desastroso, com riscos gravíssimos de vida à população, é mais um exemplo desse processo de privatização que já vinha acontecendo, mas que se acelerou com Tarcísio, que se vangloria disso no estado. A gente sempre questionou isso, pela nossa experiência”, destaca o sindicalista.
Sérgio Renato também detalha a luta para conscientizar a população de que a privatização dos transportes não era um caminho. “Junto aos companheiros da Sabesp, nós do Metrô, da CPTM, fizemos um plebiscito popular, discutimos muito isso com a participação do MTST, CUT, movimentos populares, para que a população passasse a entender o que estava em jogo. E a população é contra. Esse fato é mais uma prova cabal, cristalina, de que esse processo é muito ruim. E mais que isso, põe em risco a vida de muita gente”, reforça.
Em nota publicada em seu site, a Trivia Trens diz que suas equipes técnicas atuaram para restabelecer a circulação e realizar o desembarque assistido dos passageiros por razões de segurança. A concessionária não enviou resposta aos questionamentos feitos pelo Brasil de Fato para esclarecer os detalhes operacionais e as medidas de contingência adotadas durante o dia de caos.
Fonte: Brasil de Fato
Foto: Agência Brasil

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